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Queimaduras: um descuido, muitas sequelas

Queimaduras: um descuido, muitas sequelas

07/07/2011

Temperaturas em declínio e férias à vista tornam a cozinha um perigo para as crianças, expostas ao risco de queimaduras. Acidente é o que mais preocupa as mães, segundo estatísticas da ONG Criança Segura.

Carrinhos de controle remoto e ursinhos de pelúcia espalhados pelo quarto, bonecas com todo tipo de roupinhas e jogos de montar. Para as crianças até os 6 anos, tudo isso fica em segundo plano. A maior diversão é se aventurar pela casa, testar os limites e mexer em tudo para descobrir o que cada objeto faz. O cômodo preferido? “A cozinha. Tanto que cerca de 72% das queimaduras em crianças acontecem lá”, diz José Luiz Takaki, chefe do Serviço de Queimados do Hospital Evangélico.
Estatísticas da ONG Criança Segura de 2010 revelam que a queimadura é o tipo de acidente que mais preocupa os pais e cerca de 71% deles tomam medidas em casa para evitá-la. E para prevenir, os especialistas são unânimes: o cuidado é permanente, e deve ser redobrado nas férias – quando as crianças ficam mais tempo em casa, geralmente ociosas. “Queimadura não é acidente. Por trás de cada criança queimada, existe pelo menos um adulto que foi negligente, mesmo que por alguns segundos. Esse momento de descuido é suficiente para desencadear ferimentos graves”, alerta Takaki.

Problemas mais comuns
Entre os acidentes domésticos mais comuns, a queimadura exige atenção principalmente pelas conse-
quências que ela traz para a vida da criança. Além da dor no dia do evento, há o processo de internação e recuperação, que pode durar meses. E quanto maior a área queimada, maior o risco de morte. “Mesmo que sobreviva, a criança tem sua qualidade de vida totalmente comprometida pelo acidente”, comenta Aramis Lopes, médico pediatra e presidente do departamento de segurança da criança e adolescente de Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
E o perigo não está tanto no processo de queimadura, mas nas inúmeras infecções que a criança pode pegar a partir desta lesão. São bactérias, vírus, vermes e fungos que aproveitam o tecido exposto para entrar no corpo e comprometer seriamente a saúde da criança durante todo o período de recuperação.
“A queimadura deixa sequelas físicas e psicológicas que podem ser permanentes. A criança muda depois de uma queimadura: ela passa de uma vida saudável, fazendo normalmente suas atividades, para uma em que tem que conviver com cicatrizes, precisa de acompanhamento permanente no hospital e sente vergonha das sequelas que ficam no rosto e no corpo”, diz Ingrid Stammer, mobilizadora da ONG Criança Segura.
Mas os problemas não se limitam à saúde dos pequenos. Para os pais e responsáveis, o processo de recuperação também é doloroso. “Primeira­mente, vem a culpa de quem deveria estar cuidando da criança e se sente mal por ter deixado isso acontecer. Depois, vem a dificuldade do pai e, principalmente, da mãe, em diminuir o ritmo de trabalho ou até abrir mão dele para acompanhar o filho por meses no hospital em casos mais graves.”

Prevenção - Cerca de 90% dos acidentes domésticos com crianças poderiam ser evitados se as pessoas seguissem as dicas de prevenção que a maioria dos adultos conhecem, mas que poucos põem em prática. “Queimaduras não são fatalidades, mas eventos que podem ser prevenidos”, alerta Maurício Pereima, cirurgião pediátrico e diretor científico da Sociedade Brasileira de Queima­duras (SBQ).
“Os pais e responsáveis precisam sair da zona de conforto do ‘acontece na casa dos outros, não na minha’ e agir para evitar situações de risco”, diz David de Souza Gomez, médico dermatologista e responsável pelo setor de queimados do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Prevenir exige menos trabalho do que se possa imaginar. O passo decisivo é os pais se reunirem com o cuidador ou babá e transmitir as orientações de forma clara para todos. “Os mesmos cuidados e regras valem tanto para o pai e a mãe quanto para a babá”, diz Vanessa Maria Freitas, enfermeira e professora do curso de Primeiros Socorros do Espaço de Desenvol­­vimento Criança em Foco.
Quanto às crianças, tudo deve ser explicado de maneira educativa. “Não basta isolar as tomadas com protetor porque, conforme ela cresce, descobre um jeito de tirá-los. Ela sempre tem que saber o porquê dos cuidados”, diz Ingrid.
Explicar tudo detalhadamente à criança é uma forma de ela saber o que fazer caso vá a algum lugar que não tem as adaptações feitas na casa dos pais. “Os filhos podem passar as férias na casa da avó ou um fim de semana na casa de um amiguinho e não encontrar o ambiente tão seguro. Se ela conhece os perigos, vai se cuidar”, diz Nadia Almeida, médica dermatologista do Hospital Pequeno Príncipe.

Em cada idade
Até os 4 anos, quando as crianças são mais curiosas e querem conhecer tudo que há dentro de casa, a preocupação deve ser passar as informações de maneira lúdica, dentro do seu nível de compreensão. “Ela ainda não tem uma associação clara que o fogo machuca, então explora a casa de maneira ingênua, sem saber muito bem o que está fazendo. Por isso, converse, mostre que frio e quente são diferentes e podem machucar”, orienta Ingrid.
Depois dessa idade, o melhor é investir na conversa e aproveitar situações oportunas. Sempre que surgir um gancho, como a criança contar que um coleguinha de escola se queimou, pergunte o que ela sabe sobre isso, traga outros exemplos e dialogue, mas nada de mostrar imagens fortes ou fazer ameaças, o que pode ter o efeito contrário.

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